Quando o imponderável é anulado

A campanha do Santos foi impecável. Perdeu para o Palmeiras na Vila quando encontrou um time que tinha mesmo um pouco de sangue nos olhos e acabou com a marra dos moleques. Garantiu-nos boas risadas com a dança do Armero e do jogador de condomínio Diego Souza. Águas passadas, o que mexeu com os nervos de qualquer torcedor que pegou um pouco de birra do time santista, foi o erro crasso da bandeira Maria Eliza, ou Eliza Maria, ou qualquer merda semelhante.

Uma linda trama pela esquerda, Carlinhos recebeu em perfeitas condições e cruzou para uma bela cabeçada do artilheiro Rodriguinho, que marcou um golaço. Seria, como foi para mim, o segundo gol do Santo André, que em nenhum momento se intimidou diante do poderoso ataque santista orquestrado pelo genial Paulo Henrique Ganso.

E eis que o imponderável, aquela palavrinha que fez o Uruguai calar a boca do Maracanã lotado em 50, que deu o título para a Alemanha em 54 diante de uma Hungria que se comportava mais como uma jiboia comandada pelo brilhante Puskas, o mesmo imponderável que deu de novo para a Alemanha, o titulo de 74 sobre a maravilhosa Laranja Mecânica de Rinus fora do campo e Cruyff dentro dele, é anulado pelo erro grotesco de uma auxiliar.

Não teve dancinha dos meninos da Vila Belmiro porque o Santo André tinha tudo para ser o imponderável que eu tanto amo no futebol. Milhares apostando na vitória certa dos meninos, como se do outro lado, não existisse homens com brio. Como se do outro lado não existisse uma equipe capaz de ir pra cima de um certo moleque influenciável e imaturo. Como se do outro lado, não existisse o Branquinho.

O imponderável, aquele que adora atrapalhar os que adoram cravar favoritos, mostrou hoje, na final do Paulistão mais emocionante dos últimos anos, que é vulnerável e pode ser anulado pela incapacidade da ÁGUA DE SALSICHA (bandeirinha) de se posicionar e observar corretamente um lance.

Na história do jogo de futebol, muitos gols foram anulados que prejudicaram muitos times. Muitos pênaltis foram marcados e convertidos sem existirem. Muitas faltas foram dadas que originaram gols. Mas quando falamos de uma final de campeonato, onde o time que deu ares de imponderável ao jogo, tem um gol totalmente regular anulado, podemos dizer que o imponderável foi derrotado, anulado por um erro crasso e  que merece ser execrado.

Meus parabéns para o Santo André! Em minha opinião, o campeão do Paulistão 2010. Por todo o sangue nas veias, por toda vontade, por todo futebol e pelo gol mal anulado. Parabéns por ter enfrentado o desprezo da mídia que se pudesse teria dado o título antecipado ao Santos. Parabéns por manter minha esperança naquilo que considero fundamental para a existência do bom futebol e por manter minha fé na frase “futebol só termina quando acaba”. A surpresa foi boa e o imponderável se mantém firme e forte, apesar de grotescamente anulado hoje por uma bandeirinha mal preparada para ocupar essa função importante.

 Um forte abraço a todos…

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FLAVIO JOSÉ BENVINDO