A onda nostálgica em torno dos anos 90 está chegando com tudo. Logo virão os anexos de Power Point recordando com saudade dos “bons” tempos em que o É o Tchan ainda era chamado de Gera Samba, todo mundo queria morar em Beverly Hills e ser amigo da Kelly, do Brandon e do Steve, o pessoal ia pras baladas dançar poperô ao som de Ace of Base, Jon Secada, Londonbeat, Corona ou Erasure, ápice da tecnologia era ter conta em BBS, depois teclar no mIRC e ficar “invisible” no ICQ, ainda havia Mappin, Mesbla, fichas telefônicas e TV Manchete, objetos de desejo eram Kinder Ovos, tamagotchis e Mega Drives, duplas sertanejas e grupos de pagode invadiram as FMs, as manhãs de domingo eram embaladas pelas vitórias do Ayrton Senna, Astrid, Cuca, Thunderbird e Gastão eram os principais VJs da MTV Brasil e os maiores escândalos da década foram Lilian Ramos sem calcinha ao lado de Itamar Franco, Sharon Stone cruzando as pernas em Instinto Selvagem e Monica Lewinski quase derrubando um presidente dos EUA por causa de um fellatio.
A década da ovelha Dolly, das propagandas de facas Ginsu e meias Vivarina, do movimento grunge, da conversão dos cruzeiros reais em URVs, dos caras pintadas protestando contra Fernando Collor e do ET de Varginha já está sendo recordada em festas temáticas, posts do Fred Fagundes e livros sobre a década. Dentro dessa pegada, segue abaixo uma compilação de 10 músicas que marcaram o Brock tupinambá dos anos 90. Como diria Cissa Guimarães, aquela tal “garota que quebra o coco, mas não arrebenta a sapucaia” (e que saiu na capa da Playboy em agosto de 1994), estes clipes vieram direto do túnel do tempo…
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Planet Hemp - “Queimando Tudo” - O conjunto já causava polêmicas a partir do seu nome, extraído de um artigo publicado pela revista americana High Times, cuja especialidade é a polêmica planta Cannabis sativa. Após o lançamento de seu polêmico e bem-sucedido álbum de estréia Usuário (1995), o “planeta maconha” ressurgiria em 1997 com seu segundo CD intitulado Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára, que já dizia a que veio com o verso inicial de seu carro-chefe, “Queimando Tudo”: “Eu canto assim porque eu fumo maconha”. O clipe, dirigido por Raul Machado, foi maciçamente veiculado pela MTV. Mas o ápice da polêmica se daria em novembro daquele mesmo ano, quando os integrantes do grupo, após apresentarem-se em um ginásio em Brasília, foram presos em flagrante por apologia às drogas, e escoltados até uma delegacia na qual ficaram detidos por uma semana. O resultado de toda essa exposição? Um álbum que chegou à marca de mais de 500 mil cópias vendidas.
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Mamonas Assassinas - “Vira-Vira” - O maior fenômeno musical de toda uma geração foi um grupo de Guarulhos, SP, composto por Dinho (vocalista, animador de auditórios e sex symbol da banda cujo nome verdadeiro era Alecsander Alves), Bento Hinoto (um japonês de peruca rastafári, o talentoso guitar hero do grupo), Julio Rasec (tecladista cujo sobrenome artístico nada mais era do que o seu segundo nome, César, escrito ao contrário) e os irmãos Samuel e Sérgio Reoli (respectivamente baixista e baterista). O primeiro nome do grupo era Utopia, e naqueles tempos o quinteto cantava músicas de cunho social a la Legião Urbana, porém sem a mesma densidade das letras de Renato Russo. Só quando Dinho & companhia passou a não se levar a sério, trocando versos engajados por letras repletas de trocadilhos infames e o sumo do besteirol, é que eles encontraram a chave do sucesso. Após titubearem entre sugestões como Os Cangaceiros do Teu Pai, Tangas Vermelhas e Coraçõezinhos Apertados, o grupo finalmente encontrou um nome mais apropriado para sua nova fase: Mamonas Assassinas. Em 1995, lançaram pela EMI-Odeon seu álbum de estréia, que vendeu mais de 2,3 milhões de cópias. No auge do sucesso, no dia 2 de março de 1996, o jato particular em que viajavam chocou-se contra a Serra da Cantareira, matando todos os integrantes do grupo e deixando o país inteiro estarrecido. Discos póstumos, álbum de figurinhas, biografia do grupo e DVD foram apenas alguns dos muitos produtos lançados após o acidente.
Fonte: blog Pensar Enlouquece, Pense Nisso!
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